Um simulador de financiamento mostra, antes de qualquer contrato, quanto vai ser a parcela e quanto você vai pagar de juros no total. Para isso ele precisa de quatro informações: valor financiado, número de parcelas, taxa de juros e, quando existe, o valor da entrada.
O resultado só é confiável se você souber o que está digitando. Neste texto você vê como usar o simulador, a diferença entre os sistemas Price e SAC, um exemplo calculado passo a passo e os cuidados para a parcela não apertar o orçamento.
Você vai ver nesse conteúdo:
Toggle- Como usar um simulador de financiamento
- Simuladores de bancos, do Banco Central ou de sites: qual usar?
- Price ou SAC: qual sistema de amortização muda o resultado?
- Exemplo calculado: quanto custa financiar R$ 30.000?
- O que o simulador não mostra (e você precisa perguntar)
- A parcela cabe no seu orçamento? Sinais de alerta antes de assinar
- Posso simular um financiamento com o nome sujo ou o score baixo?
- Perguntas frequentes
Como usar um simulador de financiamento
Comece pelo valor que você realmente vai financiar, e não pelo preço do bem. Se o carro ou o imóvel custa R$ 36.000 e você dá R$ 6.000 de entrada, o valor financiado é R$ 30.000. A calculadora do Banco Central, por exemplo, avisa que o valor financiado não inclui a entrada.
Depois informe o prazo em meses e a taxa de juros mensal. Com três desses dados preenchidos, a ferramenta calcula o quarto: dá para descobrir a parcela, mas também o prazo necessário para chegar a uma parcela que você consegue pagar. Repare ainda que essa calculadora considera que a primeira parcela não é paga no ato da contratação.
Simule mais de uma vez, mudando um dado por vez. É assim que você enxerga o peso de cada decisão, em vez de olhar só para a parcela final que o banco apresenta.
Simuladores de bancos, do Banco Central ou de sites: qual usar?
Os simuladores dos bancos mostram as condições reais daquela instituição, mas só aquelas. Já a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, é neutra: você escolhe a taxa e o prazo e vê o resultado, o que serve bem para comparar propostas de bancos diferentes usando o mesmo critério.
Sites e aplicativos de terceiros costumam ser práticos, mas nem sempre deixam claro qual sistema de amortização usam ou se incluem tarifas e seguros. Se o número que aparece for muito diferente do que o banco mandou, essa é a primeira diferença a investigar.
Price ou SAC: qual sistema de amortização muda o resultado?
No Price as parcelas são iguais do começo ao fim. No SAC elas começam mais altas e diminuem a cada mês. Em ambos, cada parcela paga juros e uma parte da dívida, mas a divisão entre as duas muda.
No Price, o início da dívida é pago com mais juros e menos amortização, então o saldo devedor cai devagar. No SAC, a parte que abate a dívida é a mesma todo mês, e os juros diminuem porque incidem sobre um saldo que cai mais rápido. Se quiser entender melhor o conceito, veja como funciona a amortização.
| Sistema | Parcela | Quando costuma fazer sentido |
|---|---|---|
| Price | Fixa, igual em todos os meses | Quando você precisa de previsibilidade e a parcela inicial menor ajuda a caber no orçamento |
| SAC | Começa maior e vai caindo | Quando a renda comporta uma parcela inicial mais alta e você quer pagar menos juros no total |
Exemplo calculado: quanto custa financiar R$ 30.000?
Vamos supor um financiamento de R$ 30.000, em 36 meses, com juros de 1,5% ao mês. Os valores abaixo são um exemplo de cálculo, não uma taxa praticada por algum banco, e foram obtidos com a fórmula padrão do sistema Price e com a regra do SAC.
- Price: parcela fixa de R$ 1.084,57. Em 36 meses você paga R$ 39.044,59, ou seja, R$ 9.044,59 só de juros.
- SAC: a primeira parcela é de R$ 1.283,33 e a última de R$ 845,83. O total de juros é de R$ 8.325,00.
A diferença de juros entre os dois sistemas é de R$ 719,59 nesse exemplo, em troca de uma parcela inicial R$ 198,76 maior no SAC. Agora veja o que acontece ao mexer em uma variável de cada vez no Price, mantendo os 36 meses:
| Cenário | Valor financiado | Taxa ao mês | Parcela | Juros totais |
|---|---|---|---|---|
| Base | R$ 30.000 | 1,5% | R$ 1.084,57 | R$ 9.044,59 |
| Com R$ 6.000 a mais de entrada | R$ 24.000 | 1,5% | R$ 867,66 | R$ 7.235,67 |
| Taxa mais alta | R$ 30.000 | 2,0% | R$ 1.176,99 | R$ 12.371,48 |
Repare que meio ponto percentual a mais na taxa custou mais de R$ 3.300 em juros, e que a entrada maior reduziu a parcela em cerca de R$ 217. Por isso vale simular antes de aceitar a primeira proposta.
O que o simulador não mostra (e você precisa perguntar)
Um simulador básico calcula juros e parcela, mas o contrato pode ter outros custos. Pergunte sempre pelo custo total da operação, que reúne os juros e as demais despesas cobradas, e peça a proposta por escrito para comparar com a simulação.
Entre os itens que costumam fazer a parcela real ficar acima da simulada estão tarifas e seguros embutidos. Se o número da proposta não bate com o seu cálculo, peça o detalhamento linha a linha. Para entender de onde vem a cobrança, o texto sobre como os juros de um financiamento são cobrados ajuda a ler o contrato.
A parcela cabe no seu orçamento? Sinais de alerta antes de assinar
A simulação diz o que o banco cobra, mas não diz se você consegue pagar. Antes de fechar, some todas as despesas fixas do mês e veja quanto sobra, considerando também que a parcela de um financiamento dura anos e que a renda pode oscilar.
Alguns sinais indicam que é melhor repensar: a parcela só cabe se você cortar contas essenciais, você já usa o rotativo do cartão ou o cheque especial no fim do mês, ou a única forma de pagar é entrar em outra dívida. Nesses casos, aumentar a entrada, esticar menos o prazo ou adiar a compra costuma sair mais barato do que renegociar depois. Montar um orçamento pessoal antes de simular deixa o limite claro.
Se mais para a frente sobrar dinheiro, vale saber que dá para adiantar parcelas do financiamento para pagar menos juros. E, se o juro estiver pesando, existem formas de reduzir o custo do contrato.
Posso simular um financiamento com o nome sujo ou o score baixo?
Simular é gratuito e não depende do seu nome estar limpo, porque a simulação é só uma conta. Quem decide a aprovação e a taxa é a análise de crédito do banco, que considera renda, histórico de pagamento e restrições no CPF.
Com restrição no nome, a aprovação tende a ser mais difícil e as condições, piores. O artigo sobre financiamento para quem está negativado explica o que costuma acontecer, e entender como o score pesa na aprovação do crédito ajuda a se preparar. Resolver pendências antes de pedir o financiamento costuma abrir condições melhores.
Perguntas frequentes
O simulador garante que o banco vai aprovar o financiamento?
Não. A simulação mostra uma estimativa de parcela com os dados que você informou. A aprovação depende da análise de crédito feita pela instituição, e a taxa final pode ser diferente da usada na simulação.
O valor da simulação é igual ao da proposta do banco?
Nem sempre. A proposta pode incluir tarifas e seguros que um simulador simples não considera. Compare o custo total da proposta, e não só a parcela.
Vale mais a pena dar entrada maior ou prazo maior?
Entrada maior reduz o valor financiado e, com isso, os juros totais. Prazo maior diminui a parcela, mas aumenta o total pago de juros. No exemplo acima, só a entrada de R$ 6.000 reduziu os juros totais em R$ 1.808,92.