Amortizar é pagar parte ou o total de uma dívida antes do prazo combinado, reduzindo o saldo que ainda gera juros. Funciona em qualquer dívida com juros e prazo definidos: financiamento de imóvel, de carro, empréstimo pessoal ou até o Fies.
Neste guia você entende os sistemas SAC e Price, como decidir se vale a pena amortizar, o que fazer com o valor extra (reduzir prazo ou reduzir parcela) e o que muda quando a dívida já está atrasada e o nome, negativado.
Você vai ver nesse conteúdo:
Toggle- O que é amortização?
- Como funciona a amortização?
- Quais são os tipos de sistema de amortização?
- Amortizar reduz prazo ou parcela: qual escolher?
- Vale a pena amortizar o financiamento ou empréstimo?
- Como simular a amortização antes de decidir?
- Amortização do Fies: como funciona a quitação antecipada?
- O que muda na amortização quando a dívida já está atrasada e o nome está negativado?
O que é amortização?
Toda prestação de um financiamento ou empréstimo é formada por duas partes: a amortização, que abate o saldo devedor (o principal), e os juros, que remuneram quem emprestou o dinheiro. Quando você paga a parcela normal, uma fração dela já é amortização; o resto é custo do empréstimo.
Amortizar “por fora”, isto é, pagar um valor extra além da parcela combinada, significa adiantar parte do saldo devedor voluntariamente. É essa amortização extraordinária que costuma gerar dúvida: reduz o prazo? Reduz a parcela? Vale a pena fazer?
Como funciona a amortização?
Cada parcela do seu contrato já embute uma amortização mínima, calculada pelo sistema definido no contrato (SAC ou Price, por exemplo). Quando você quer ir além disso, pede ao banco ou financeira uma amortização extraordinária: um pagamento avulso, aplicado direto no saldo devedor, sem contar como uma parcela adiantada.
Para pedir, o caminho costuma ser simples:
- acesse o aplicativo do banco ou financeira e procure a opção de “amortização” ou “pagamento extra”;
- informe o valor que você quer usar para abater a dívida;
- escolha o que quer com esse abatimento: menos tempo de contrato ou parcela mais baixa;
- confira a simulação antes de confirmar: o sistema deve mostrar o novo prazo ou o novo valor da parcela.
Essa escolha não é um favor do banco: o Código de Defesa do Consumidor garante ao consumidor o direito de liquidar a dívida, total ou parcialmente, com redução proporcional dos juros e demais encargos (Lei 8.078/1990, art. 52, §2º). Se a instituição tentar cobrar multa por isso ou não recalcular os juros corretamente, ela está descumprindo a lei.
Quais são os tipos de sistema de amortização?
Os contratos de financiamento no Brasil costumam usar um destes sistemas para calcular como a parcela se divide entre amortização e juros ao longo do tempo. Conhecer qual é o seu ajuda a entender se vale mais a pena amortizar agora ou esperar.
Sistema SAC (Sistema de Amortização Constante)
No SAC, o valor amortizado é sempre o mesmo em todas as parcelas; o que muda é o valor dos juros, que cai mês a mês porque incide sobre um saldo devedor cada vez menor. Resultado: a parcela começa mais alta e vai diminuindo até o fim do contrato.
Sistema Price (Sistema Francês de Amortização)
No Price, é a parcela que fica constante do início ao fim do contrato. Para isso, a proporção entre juros e amortização dentro de cada parcela muda: no começo, quase tudo é juros; perto do fim, quase tudo é amortização.
Outros sistemas: SACRE e o sistema americano
Existe ainda o SACRE (Sistema de Amortização Crescente), usado por alguns bancos em financiamento imobiliário e regulado, junto com o SAC, pela Resolução CMN/BCB nº 4.676/2018. Nele, a parcela pode até subir um pouco nos primeiros meses antes de começar a cair. Já o sistema americano, mais raro em financiamentos de varejo, concentra a amortização inteira no vencimento final, pagando só juros durante o contrato.
| Sistema | Parcela | Amortização | Total de juros pago |
|---|---|---|---|
| SAC | Decrescente | Constante | Menor |
| Price | Constante | Crescente | Maior |
| SACRE | Cresce e depois decresce | Variável | Intermediário |
Amortizar reduz prazo ou parcela: qual escolher?
Depende do que está pesando mais no seu orçamento agora. Se o problema é o valor da parcela mensal, peça para reduzir a parcela: o prazo do contrato continua o mesmo, mas você paga menos por mês a partir da próxima cobrança. Se o que você quer é sair da dívida mais rápido e pagar menos juros no total, peça para reduzir o prazo, mantendo a parcela como está.
Reduzir o prazo costuma economizar mais em juros, porque o dinheiro passa menos tempo “emprestado”. Reduzir a parcela ajuda mais quem está com o orçamento apertado no curto prazo e precisa de fôlego imediato. Não existe escolha errada, existe a que resolve o problema que você tem hoje.
Vale a pena amortizar o financiamento ou empréstimo?
Vale a pena quando os juros do seu contrato são mais altos do que o que esse mesmo dinheiro renderia investido. Para comparar, olhe a taxa de juros do seu contrato (está no boleto ou no aplicativo) e compare com o rendimento líquido de uma aplicação de renda fixa de baixo risco no mesmo período.
Um exemplo para deixar isso concreto: suponha um financiamento de veículo de R$ 18.000, taxa de 2% ao mês, faltando 24 parcelas. Se você amortiza R$ 3.000 hoje reduzindo o prazo, deixa de pagar juros sobre esse valor pelos meses restantes: nesse cenário, algo perto de R$ 1.200 em juros que você simplesmente não vai mais pagar. Se, em vez disso, você deixasse os R$ 3.000 num investimento rendendo 1% ao mês, teria menos de R$ 800 no mesmo período. A conta favorece amortizar sempre que a taxa do seu contrato for maior do que a taxa que seu dinheiro consegue render com segurança, o que costuma ser o caso em financiamento de veículo e cartão, e menos óbvio em financiamento imobiliário com taxas mais baixas.
Como simular a amortização antes de decidir?
A maioria dos bancos e financeiras tem um simulador dentro do próprio aplicativo, na área de “amortização” ou “quitação antecipada” do contrato, que mostra o novo prazo ou a nova parcela antes de você confirmar qualquer pagamento. Vale simular os dois cenários (reduzir prazo e reduzir parcela) antes de escolher, porque o impacto muda de contrato para contrato.
Se você está no começo do processo e nem fechou o financiamento ainda, um simulador de financiamento ajuda a comparar como cada sistema de amortização afeta o valor final antes mesmo de assinar o contrato.
Amortização do Fies: como funciona a quitação antecipada?
Sim, também é possível amortizar o Fies fora do prazo normal. Na fase de amortização do financiamento estudantil, o valor da parcela é calculado com base em um percentual da sua renda bruta mensal. O percentual exato depende das condições do seu contrato e está disponível no canal oficial do seu agente financeiro.
Contratos firmados a partir de 2018 são geridos pela Caixa, pelo sistema SIFESWEB; contratos anteriores a 2018 usam o SisFies, do MEC. Como regra geral do programa, a quitação antecipada, total ou parcial, não costuma ter multa, mas as condições específicas variam por safra de contrato, então confirme direto no canal do seu agente financeiro antes de decidir o valor a amortizar.
O que muda na amortização quando a dívida já está atrasada e o nome está negativado?
Se o seu financiamento ou empréstimo já está em atraso e seu nome foi para o Serasa ou o SPC, a lógica de “amortizar por sistema SAC ou Price” praticamente deixa de valer. Nesse ponto, a dívida costuma ter sido vencida por completo, virou cobrança e é tratada como negociação de dívida em atraso, não mais como um contrato em dia com cronograma de amortização.
A diferença prática é o que está na mesa: em vez de abater parte do saldo e recalcular parcela ou prazo, você negocia o valor total da dívida, muitas vezes com desconto, porque o credor prefere receber uma parte agora do que continuar tentando cobrar o valor cheio. Antes de pensar em “amortizar” uma dívida negativada, faz mais sentido entender como negociar dívidas com desconto e comparar as condições oferecidas por diferentes credores.
Isso não significa que amortização e negativação nunca se cruzam: quem ainda está pagando em dia, mas sente que qualquer atraso vai jogar o nome para negativado, pode usar a amortização extraordinária como prevenção: adiantar parcelas do financiamento enquanto ainda dá para pagar é sempre mais barato do que negociar depois que a dívida já venceu.
Se a sua situação hoje é mais dívida do que fôlego para amortizar qualquer coisa, o primeiro passo não é calcular sistema de amortização, é organizar o que você deve e ver quais credores topam negociar. A Acerto reúne suas dívidas em um só lugar e negocia com você, com parcelas que cabem no orçamento que você tem agora!