Não existe uma taxa única que defina o “juro máximo” do cartão de crédito. Cada banco define livremente a taxa do rotativo e do parcelamento, e é por isso que ela varia tanto de uma instituição para outra. O que a lei limita, desde 2024, é até onde essa dívida pode crescer.
Neste guia você confere o que diz a legislação sobre esse limite, como calcular o custo de cada dia de atraso (com um simulador para fazer a conta na hora) e como as taxas de rotativo e parcelado se comparam entre os principais bancos do país.
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ToggleQual o máximo de juros que pode ser cobrado no cartão de crédito?
Não há um teto sobre a taxa de juros mensal em si. Bancos e financeiras têm liberdade para definir a taxa do rotativo e do parcelamento da fatura, e isso explica por que ela varia tanto entre as instituições, como você confere mais abaixo na tabela comparativa.
O que existe é um limite sobre o valor total que a dívida pode alcançar: os encargos acumulados (juros, multas e tarifas) não podem ultrapassar 100% do valor original não pago. Ou seja, por mais que o atraso se estenda, a dívida não pode passar do dobro do valor que originou a cobrança.
Essa regra vale apenas para o saldo que entra no crédito rotativo ou é parcelado pelo banco depois do atraso, não para compras já parceladas no momento da compra, que seguem as condições combinadas desde o início.
O que diz a nova lei
A regra vem da Lei 14.690/2023, sancionada em outubro de 2023 como parte do programa Desenrola Brasil, e foi regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023, do Conselho Monetário Nacional. Está em vigor desde 3 de janeiro de 2024 e vale apenas para dívidas contraídas a partir dessa data: saldos que já estavam no rotativo antes disso seguem as regras anteriores.
Isso significa que uma dívida de R$ 1.000 que entra no rotativo pode chegar, no limite, a R$ 2.000 em encargos acumulados. Não importa quanto tempo o cliente demore para quitar: o teto continua sendo o dobro do valor original.
A mesma regulamentação trouxe outra mudança relevante: desde julho de 2024, é possível fazer a portabilidade gratuita dessa dívida para outro banco que ofereça condições melhores, sem custo para o cliente. Isso amplia o poder de negociação de quem está pagando juros altos e quer buscar uma taxa menor em outra instituição.
Como calcular um dia de atraso no cartão de crédito?
O custo de um dia de atraso soma três componentes: a multa fixa, os juros de mora e, quando o valor não pago entra no rotativo, os juros da própria instituição sobre esse saldo. Como cada um funciona de um jeito diferente, vale entender a fórmula de cada um antes de simular o total.
A multa por atraso é fixa em até 2% sobre o valor da dívida, conforme o artigo 52, parágrafo 1º, do Código de Defesa do Consumidor. Ela é cobrada uma única vez: atrasar 1 dia ou 20 dias gera a mesma multa.
Os juros de mora têm teto de 1% ao mês pelo mesmo artigo do CDC, só que proporcional aos dias de atraso. Dividindo por 30, o valor equivale a cerca de 0,033% ao dia.
Já os juros do rotativo entram quando você paga apenas o mínimo da fatura ou qualquer valor abaixo do total, mesmo sem atraso formal. A taxa varia por instituição, como você confere na tabela mais abaixo, e passa a incidir por dia até a próxima fatura.
Um exemplo ajuda a visualizar: uma fatura de R$ 1.000 com 1 dia de atraso, considerando a média das taxas de rotativo dos cinco bancos citados neste artigo mais abaixo (14,44% ao mês), gera os seguintes encargos:
- Multa (2%, valor fixo): R$ 20,00
- Juros de mora (1% ao mês ÷ 30 dias): R$ 0,33
- Juros do rotativo (14,44% ao mês ÷ 30 dias): R$ 4,81
- Total de encargos no primeiro dia: R$ 25,15
A multa fixa é, de longe, o maior componente logo no primeiro dia: ela pesa o mesmo tanto atrasando 1 dia quanto atrasando 10. Já os juros de mora e do rotativo crescem a cada dia adicional. Se o saldo continuar sem ser pago, ele passa a incidir sobre um total já maior no ciclo seguinte, gerando juros compostos que explicam por que uma dívida de cartão cresce tão rápido quando fica parada por vários meses.
Simulador de juros de cartão de crédito por dia
Para não precisar refazer essa conta na mão toda vez, use o simulador abaixo. Basta informar o valor da fatura, escolher o banco (ou informar sua própria taxa) e o número de dias de atraso para ver o total de encargos e o valor final atualizado.
Quanto custa atrasar o cartão de crédito?
Informe os dados da fatura e veja o custo, dia a dia.
Taxas de rotativo com base em dados do Banco Central (período de 25/06 a 01/07/2026).
Os encargos foram limitados a 100% do valor original da dívida, como determina a Lei 14.690/2023.
Simulação educativa com base nos limites do Código de Defesa do Consumidor (multa de até 2% e juros de mora de até 1% ao mês) e no teto de 100% da Lei 14.690/2023. Os valores são estimativas: consulte sempre o contrato do seu cartão para taxas e condições exatas.
Quais são as taxas de juros dos cartões de crédito no Brasil?
As taxas variam bastante de banco para banco, mas giram, em média, entre 13% e 16% ao mês no rotativo e entre 7% e 10% ao mês quando você opta por parcelar a fatura, considerando os cinco grandes bancos que citamos abaixo:
| Banco | Rotativo (ao mês) | Rotativo (ao ano) | Parcelado (ao mês) | Parcelado (ao ano) |
|---|---|---|---|---|
| Banco do Brasil | 13,01% | 334,02% | 6,93% | 123,56% |
| Nubank | 13,16% | 340,93% | 8,94% | 179,32% |
| Itaú | 13,99% | 381,49% | 9,93% | 211,51% |
| Santander | 15,93% | 489,60% | 8,41% | 163,56% |
| Inter | 16,13% | 501,37% | 8,69% | 171,94% |
Dados do Banco Central do Brasil referentes ao período de 25/06/2026 a 01/07/2026 (taxas de juros por instituição financeira, segmento pessoa física).
Entre esses cinco, o Banco do Brasil tem a menor taxa nas duas modalidades, enquanto o Inter aparece com o maior rotativo do grupo (16,13% ao mês) e o Itaú com o maior parcelado (9,93% ao mês). Essa diferença entre rotativo e parcelado, porém, não é igual em todos eles: no Banco do Brasil, no Santander e no Inter, o rotativo custa entre 85% e 89% a mais do que o parcelado, quase dobrando a taxa mensal. No Nubank e no Itaú, a diferença é menor, entre 41% e 47%, embora o rotativo continue sendo a opção mais cara nos cinco casos.
O Banco Central acompanha essas taxas em uma lista com 60 instituições financeiras. Olhando para esse universo mais amplo, a menor taxa de rotativo pertence a uma instituição bem menor, a Zema CFI, com 0,71% ao mês, um valor bem distante da segunda colocada, o Banco Industrial do Brasil, com 4,79%.
Esse tipo de discrepância costuma aparecer quando a instituição tem poucas operações de rotativo, o que faz a taxa não representar bem o que a maioria dos clientes paga. Entre as instituições mais movimentadas, o Banco do Brasil, com 13,01% ao mês, é quem mais se aproxima do topo dessa lista de menores taxas. Já no outro extremo, a maior taxa de rotativo do levantamento passa de 23% ao mês, o equivalente a mais de 1.150% ao ano.
Manter o controle sobre o cartão de crédito ajuda a evitar que pequenos atrasos se transformem em dívidas grandes.
Se os juros já estão pesando na fatura e a dívida parece fora de controle, vale conhecer as opções para sair das dívidas do cartão de crédito antes que o rotativo continue acumulando encargos mês após mês.