Tem como diminuir os juros do financiamento? Descubra aqui!

Reduzir juros de financiamento não é mágica, mas também não é impossível. Existem estratégias legais e financeiras que podem diminuir o custo do contrato, aliviar as parcelas e até melhorar sua relação com essa dívida no longo prazo. 

Neste guia, você vai entender o que realmente funciona, o que é mito, quando vale negociar, quando considerar medidas mais técnicas — e, principalmente, como tomar decisões com base em informação, não em promessa fácil.

Como reduzir os juros de um financiamento?

Se você já contratou um financiamento e, no meio do caminho, percebeu que os juros estão pesando demais no orçamento, saiba que existem, sim, caminhos para tentar reduzir esse custo. Nem sempre dá para simplesmente “baixar a taxa” com um pedido direto ao banco, mas há estratégias que podem diminuir o valor total pago ao longo do contrato — ou até aliviar as parcelas no curto prazo.

Antes de qualquer decisão, vale revisar o contrato com calma: entender qual é a taxa aplicada, se ela é fixa ou variável, qual sistema de amortização foi utilizado e qual é o saldo devedor atual. Com essas informações em mãos, fica muito mais fácil avaliar qual alternativa faz sentido para o seu momento financeiro.

Abaixo, você confere as principais possibilidades para reduzir os juros de um financiamento — algumas dependem de negociação, outras de estratégia.

1. Portabilidade de crédito

A portabilidade de crédito é uma das formas mais conhecidas de tentar reduzir juros. Funciona assim: você leva seu saldo devedor para outra instituição financeira que ofereça uma taxa menor. O novo banco quita sua dívida no banco original e você passa a pagar as parcelas para ele, com as novas condições.

Essa estratégia costuma funcionar melhor quando:

  • As taxas de juros do mercado caíram desde que você contratou o financiamento;
  • Seu perfil de crédito melhorou (aumento de renda, score mais alto, menos dívidas);
  • Você ainda está no início do contrato, quando a maior parte da parcela é composta por juros.

O ponto de atenção aqui é analisar o CET (Custo Efetivo Total), e não só a taxa nominal. Às vezes, a taxa parece menor, mas as tarifas embutidas deixam o contrato mais caro no fim das contas.

2. Amortização antecipada

Outra estratégia eficiente é a amortização antecipada, ou seja, pagar parte do saldo devedor antes do prazo previsto. Quando você antecipa parcelas ou faz um pagamento extra direto no saldo, reduz o valor sobre o qual os juros futuros serão calculados.

Na prática, isso pode:

  • Diminuir o prazo do financiamento, mantendo o valor da parcela;
  • Ou reduzir o valor da parcela, mantendo o prazo.

Essa opção costuma ser muito vantajosa no começo do contrato, quando os juros ainda representam a maior parte da prestação. Se você recebeu um valor extra — como 13º salário, bônus ou restituição do imposto de renda — pode valer a pena simular quanto economizaria amortizando.

3. Negociação direta com o banco

Em alguns casos, principalmente quando há risco de inadimplência, o próprio banco pode aceitar renegociar as condições do contrato. Isso pode envolver:

É mais comum conseguir esse tipo de ajuste quando o cliente demonstra boa-fé, histórico de pagamento e apresenta uma justificativa consistente (queda de renda, por exemplo). Não é garantido, mas vale a conversa — especialmente antes de atrasar parcelas.

4. Ação revisional de contrato

A ação revisional é um processo judicial em que o consumidor pede a revisão das cláusulas do contrato de financiamento, alegando que há cobranças abusivas, juros excessivos ou irregularidades.

Ela costuma ser utilizada quando há suspeita de:

  • Juros muito acima da média de mercado;
  • Cobrança indevida de tarifas;
  • Capitalização de juros considerada irregular;
  • Falta de clareza nas cláusulas contratuais.

É importante dizer que não se trata simplesmente de “pedir desconto na Justiça”. A ação precisa ter fundamento técnico, geralmente com análise contratual feita por advogado ou perito. Além disso, entrar com revisional não suspende automaticamente a dívida — e, dependendo do caso, pode gerar custos com honorários e custas judiciais.

Vale a pena entrar com revisional?

Depende muito do caso. A ação revisional pode valer a pena quando há indícios claros de abusividade e quando o valor em discussão compensa os custos e o tempo do processo. Em contratos longos e de alto valor, como financiamento imobiliário, a revisão pode gerar economia relevante se for bem fundamentada.

Por outro lado, é preciso ter cautela. Muitas promessas de “redução garantida” são enganosas, e nem sempre a Justiça entende que a taxa aplicada é abusiva — especialmente se estiver dentro da média praticada pelo mercado na época da contratação.

Antes de decidir, o ideal é:

  • Solicitar uma análise técnica do contrato;
  • Comparar a taxa aplicada com a média divulgada pelo Banco Central do Brasil para o período;
  • Avaliar custos, riscos e tempo estimado do processo.
Quem entra com revisional não consegue mais crédito?

Não existe uma regra automática que impeça alguém de conseguir crédito só por ter entrado com uma ação revisional. O simples fato de questionar um contrato na Justiça não gera, por si só, uma “proibição” formal no sistema financeiro.

Mas na prática a situação pode ficar um pouco mais delicada. Isso porque, ao entrar com uma ação contra um banco, o relacionamento com aquela instituição tende a se desgastar. Além disso, durante o processo, podem ocorrer registros de inadimplência caso as parcelas não estejam sendo pagas integralmente ou conforme decisão judicial provisória. E aí, sim, o impacto no score e no histórico de crédito pode dificultar novas aprovações.

Outro ponto importante é que os bancos analisam risco. Se você está discutindo judicialmente uma dívida, isso pode ser interpretado como aumento de risco de crédito — principalmente enquanto o processo estiver em andamento. Não é uma punição formal, mas pode influenciar a análise interna das instituições.

Por isso, antes de entrar com revisional, vale avaliar:

  • Se você continuará pagando as parcelas (integralmente ou conforme decisão judicial);
  • Como está seu score e seu histórico de pagamentos;
  • Se pretende contratar crédito novo no curto prazo;
  • Se o possível ganho financeiro compensa eventuais restrições temporárias.

Em resumo: não é que você “fica proibido” de pegar crédito, mas pode enfrentar mais dificuldade dependendo de como a situação evoluir. A decisão precisa ser estratégica — e pensada olhando não só para o contrato atual, mas para sua vida financeira como um todo.

Tem como zerar os juros de um financiamento?

Não existe financiamento sem juros. Os juros fazem parte da essência desse tipo de contrato, porque representam o custo do dinheiro emprestado. Quando uma instituição financeira libera crédito, ela assume um risco — e a taxa cobrada é a remuneração por esse risco ao longo do tempo.

O que muita gente confunde é a possibilidade de questionar cobranças abusivas com a ideia de “eliminar todos os juros”. Mesmo quando há revisão contratual, o que pode acontecer é um ajuste na taxa ou na forma de cálculo, caso fique comprovada alguma irregularidade. Mas a exclusão total dos juros não é uma regra nem algo garantido.

Também é importante desconfiar de promessas muito fáceis, como “vamos zerar seus juros na Justiça”. Se a taxa aplicada estiver dentro da média praticada no mercado na época da contratação — algo que pode ser consultado nas séries históricas do Banco Central do Brasil — dificilmente haverá base legal para diminuir os encargos.

Em resumo, o foco não deve ser “tirar todos os juros”, porque isso não reflete como o crédito funciona. A conversa mais realista é entender se o contrato está correto, se a taxa é compatível com o mercado e se o financiamento ainda faz sentido dentro da sua organização financeira atual.

Como reduzir os valores das parcelas?

Quando a parcela começa a apertar o orçamento, a primeira reação costuma ser pensar em juros — e a gente já falou sobre como é possível reduzi-los em algumas situações. Mas aqui o foco é outro: diminuir o valor da prestação mensal, especialmente quando o problema é fluxo de caixa e não necessariamente o custo total do contrato.

Uma das formas mais eficientes de fazer isso é por meio da amortização com redução de parcela. Nesse modelo, você faz um pagamento extra diretamente no saldo devedor e escolhe manter o prazo do financiamento, mas com parcelas menores a partir dali. Como os juros são calculados sobre o saldo restante, ao reduzir a dívida principal, você também reduz o valor mensal cobrado.

E de onde pode vir esse dinheiro para amortizar? Algumas possibilidades bem comuns são:

  • Renda extra temporária: freelas, vendas, bônus, comissão ou até trabalhos sazonais podem virar um reforço estratégico para abater parte do saldo.
  • 13º salário ou PLR: em vez de consumir tudo, direcionar uma parte para o financiamento pode aliviar meses (ou anos) de parcela.
  • Restituição do Imposto de Renda: se cair na conta, pode ser uma ótima oportunidade para amortizar.
  • FGTS (no caso de financiamento imobiliário): é possível usar o saldo do FGTS para reduzir o valor das parcelas ou o prazo, conforme as regras vigentes.
  • Reserva acumulada com esse objetivo: se você já tem um planejamento, pode usar valores guardados especificamente para aliviar o contrato.

Outra possibilidade, dependendo do banco, é solicitar uma negociação para alongamento de prazo. Isso tende a reduzir o valor da parcela, embora possa aumentar o custo total pago ao final do contrato. Por isso, é uma decisão que precisa ser feita com consciência: você ganha fôlego agora, mas pode pagar mais no longo prazo.

Se a sua prioridade no momento é respirar financeiramente, reduzir o valor da parcela via amortização costuma ser uma das alternativas mais equilibradas. O segredo está em usar qualquer entrada extra de forma estratégica — transformando um dinheiro pontual em um alívio mensal duradouro.

E agora que você já sabe como reduzir os juros do financiamento, entenda como funciona o subsídio para compra da primeira casa!

Summary

Roberta Firmino

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e com mais de 7 anos de experiência com conteúdo para web. Escrevo para ajudar brasileiros a saírem das dívidas e a tomarem decisões financeiras mais conscientes.

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