Confira as alíquotas do IRPF em 2026

Se você ficou com a sensação de que o Imposto de Renda mudou, mas não entendeu exatamente o que, você não está sozinho. Em 2026, as regras trouxeram uma novidade importante que impacta diretamente o bolso de milhões de brasileiros, principalmente quem ganha até R$ 7.350 por mês. A tabela tradicional continua a mesma, mas agora existe um novo mecanismo que pode reduzir e até zerar o imposto em muitos casos.

Neste artigo, vamos te mostrar de forma simples e prática como ficaram as alíquotas do IRPF em 2026, o que mudou com a nova lei e, principalmente, como isso afeta o valor que sai do seu salário. Também vamos te guiar no passo a passo do cálculo, com exemplos práticos, para você entender exatamente quanto deve pagar (ou não) de imposto.

Como ficou a tabela do Imposto de Renda em 2026?

Em 2026, a tabela progressiva do Imposto de Renda não mudou, ela continua exatamente a mesma. O que mudou, de fato, foi a criação de uma nova regra de redução do imposto, trazida pela Lei nº 15.270/2025, que na prática pode diminuir (ou até zerar) o valor a pagar para parte dos contribuintes.

Para começar, veja como permanece a tabela mensal do IRPF:

Base de cálculo mensalAlíquotaDedução
Até R$ 2.428,80Isento
De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,657,5%R$ 182,16
De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,0515%R$ 394,16
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,6822,5%R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,6827,5%R$ 908,73

Essa tabela continua sendo progressiva, ou seja, o imposto é calculado por faixas de renda, e não sobre o valor total de forma única.

Agora entra a principal novidade: a tabela de redução do imposto, que funciona como um “desconto” aplicado diretamente no valor do IR calculado:

Rendimentos tributáveis mensaisRedução do imposto
Até R$ 5.000,00Até R$ 312,89 (zera o IR)
De R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00R$ 978,62 – (0,133145 × renda)
Acima de R$ 7.350,00Não há redução

Na prática, isso significa que quem ganha até R$ 5 mil por mês tem o imposto totalmente zerado. Já quem está entre R$ 5 mil e R$ 7.350 ainda recebe um desconto, mas ele vai diminuindo gradualmente até deixar de existir.

Mas atenção, é importante considerar que o cálculo do Imposto de Renda leva em conta todos os rendimentos tributáveis, ou seja, todos os valores que representam ganho financeiro e que estão sujeitos à cobrança de imposto. Isso inclui não só o salário fixo, mas também outras formas de remuneração recebidas ao longo do mês ou do ano.

Na prática, entram como rendimentos tributáveis, por exemplo:

  • Salário mensal
  • Horas extras
  • Adicional noturno
  • Comissões e bônus
  • Férias (inclusive o adicional de 1/3)
  • Gratificações e prêmios

Ou seja, não basta olhar apenas para o salário base. Todos esses valores são somados para calcular o imposto devido, o que pode fazer com que você mude de faixa ou pague um valor maior de IR no final das contas.

Outro ponto importante é que essa redução também se aplica ao cálculo do imposto sobre o 13º salário, o que pode diminuir a retenção nessa renda extra ao longo do ano.

Outras mudanças da legislação

Além disso, a lei trouxe mudanças voltadas para rendas mais altas. Por exemplo, quem recebe mais de R$ 50 mil por mês em lucros e dividendos passa a ter retenção de 10% na fonte sobre esse valor. Também foi criada uma regra de tributação mínima anual para quem ganha acima de R$ 600 mil, garantindo que essas pessoas paguem um percentual mínimo de imposto, mesmo considerando rendimentos isentos ou tributados de outras formas.

Na prática, o que muda é o seguinte: a base da tabela continua igual, mas o valor efetivamente pago pode ser menor por causa da nova redução. Isso beneficia principalmente quem tem renda mensal de até R$ 7.350, enquanto as regras para altas rendas deixam a tributação mais equilibrada no topo.

Passo a passo para calcular quanto será descontado do seu salário

Agora que você já viu as tabelas, vamos ao que realmente importa: como calcular, na prática, quanto de IR será descontado do seu salário. Pode parecer complicado à primeira vista, mas seguindo um passo a passo fica bem mais simples.

  1. Comece pelo salário bruto: pegue o valor total do seu salário antes de qualquer desconto.
  2. Desconte o INSS: subtraia os descontos legais, como a contribuição previdenciária. Importante: se os seus descontos legais forem inferiores a R$ 607,20, você pode optar por fazer a dedução nesse valor (desconto simplificado mensal). O valor que sobra é a sua base de cálculo do IR.
  3. Encontre sua faixa na tabela do IRPF: com a base de cálculo em mãos, veja em qual faixa da tabela mensal do Imposto de Renda você se encaixa.
  4. Calcule o imposto bruto: aplique a alíquota correspondente sobre a base de cálculo e, depois, subtraia a parcela a deduzir indicada na tabela. Aqui você encontra o valor inicial do IR.
  5. Verifique se tem direito à redução do imposto: ainda com a base de cálculo (já descontado o INSS), consulte a tabela de redução do imposto e veja se sua renda está até R$ 7.350.
  6. Calcule a redução
    • Até R$ 5.000 → zera o imposto
    • De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 → aplique a fórmula de redução
    • Acima disso → não há redução
  7. Desconte a redução do valor do IR: subtraia o valor da redução do imposto bruto calculado no passo 4. O resultado é o valor final de IR que será descontado do seu salário.

Vale reforçar um detalhe importante: se você recebe dinheiro de mais de uma fonte (por exemplo, dois empregos ou um salário + renda extra), cada pagamento pode até ficar dentro de uma faixa menor ou com redução aplicada. Mas, na declaração anual, a Receita soma todos os rendimentos e isso pode gerar imposto adicional a pagar no ajuste, mesmo que mensalmente pareça que estava tudo certo.

Quem ganha até R$ 5.000 paga quanto de Imposto de Renda?

Quem ganha até R$ 5.000 (considerando todos os rendimentos tributáveis, como explicamos acima), em muitos casos, pode ter o valor retido mensalmente zerado. Isso acontece porque, mesmo que o cálculo inicial pela tabela do IRPF gere algum valor a pagar, a nova regra de redução do imposto garante um abatimento suficiente para eliminar totalmente esse valor. 

Ou seja, após aplicar a redução prevista na lei, o imposto devido é efetivamente zerado para quem está nessa faixa de renda.

Vamos a alguns exemplos:

Exemplo 1: salário de R$ 3.000

O primeiro passo é fazer as deduções legais do salário. Então, vamos começar subtraindo o INSS. O valor de R$ 3.000 cai na faixa de 12%. Aplicando a conta (12% sobre R$ 3.000 = R$ 360) e descontando a parcela a deduzir (R$ 111,40), o INSS fica em R$ 248,60.

Se essa for a única dedução legal do seu salário, você pode optar pelo desconto simplificado mensal, de R$ 607,20, já que ele é superior à dedução do seu INSS.

Agora, subtraindo do salário bruto:

  • Base de cálculo do IR = R$ 3.000 – R$ 607,20 = R$ 2.392,80

Esse valor entra na faixa de isenção do IRPF.*

Exemplo 2: salário de R$ 5.000

Agora o cálculo do INSS: essa faixa usa a alíquota de 14%.

  • 14% de R$ 5.000 = R$ 700
  • Menos a dedução de R$ 198,49 → INSS = R$ 501,51

Se essa for a única dedução do seu salário, ela é inferior ao desconto simplificado mensal de R$ 607,20. Então, você pode usá-lo para reduzir a sua base de cálculo do IRPF.

Base de cálculo do IR:

  • R$ 5.000 – R$ 607,20 = R$ 4.392,80

Esse valor cai na faixa de 22,5% do IRPF. Calculando:

  • 22,5% sobre R$ 4.392,80 = R$ 988,38
  • Menos a dedução de R$ 675,49 → R$ 312,89 de IR

Agora entra a redução: como a renda ainda está dentro do limite de R$ 5.000, pode-se aplicar o desconto de R$ 312,89, zerando o valor de IR.*

* Os exemplos consideram apenas salário e a dedução simplificada mensal. O resultado pode variar conforme a composição dos rendimentos e demais deduções.

E quem ganha até R$ 7.350?

Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o cálculo do Imposto de Renda segue o mesmo caminho inicial: você calcula normalmente até chegar ao valor do imposto pela tabela mensal do IRPF (ou seja, depois de descontar o INSS, aplicar a alíquota e subtrair a parcela a deduzir).

A diferença é que, depois disso, entra a redução do imposto, que deve ser calculada com a seguinte fórmula:

Redução = R$ 978,62 – (0,133145 × renda mensal)

Esse valor é, então, descontado do imposto encontrado, o que diminui o IR a pagar.

Para ficar mais claro, veja um exemplo completo:

Exemplo: salário de R$ 7.000

  1. Calcule o INSS
    • 14% sobre R$ 7.000 = R$ 980
    • Menos R$ 198,49 → INSS = R$ 781,51
  2. Encontre a base de cálculo do IR
    • R$ 7.000 – R$ 781,51 = R$ 6.218,49
  3. Identifique a faixa na tabela do IRPF
    • Alíquota: 27,5%
    • Parcela a deduzir: R$ 908,73
  4. Calcule o imposto
    • 27,5% sobre R$ 6.218,49 = R$ 1.710,08
    • Menos R$ 908,73 → IR = R$ 801,35
  5. Calcule a redução do imposto
    • Redução = 978,62 – (0,133145 × 7.000)
    • Redução = 978,62 – 932,01 = R$ 46,61
  6. Calcule o IR final
    • R$ 801,35 – R$ 46,61 = R$ 754,74*

* Os exemplos consideram apenas salário e a dedução simplificada mensal. O resultado pode variar conforme a composição dos rendimentos e demais deduções.

E quem ganha mais de R$ 7.350?

Para quem ganha a partir de R$ 7.350,01, não há mais aplicação da redução do imposto. Ou seja, o cálculo volta a ser exatamente como era antes: você considera o salário bruto, desconta o INSS e aplica diretamente a tabela progressiva do IRPF, sem nenhum abatimento adicional.

Na prática, isso significa que o valor final do imposto será maior em comparação a quem está nas faixas anteriores, já que não existe aquele “desconto extra” criado pela nova lei.

Veja um exemplo para ficar mais claro:

Exemplo: salário de R$ 10.000

  1. Calcule o INSS
    • 14% sobre R$ 10.000 = R$ 1.400 – aqui, utilizamos o teto do INSS para o CLT, que é de R$ 988,07.
  2. Encontre a base de cálculo do IR
    • R$ 10.000 – R$ 988,07 = R$ 9.011,93
  3. Identifique a faixa na tabela do IRPF
    • Alíquota: 27,5%
    • Parcela a deduzir: R$ 908,73
  4. Calcule o imposto
    • 27,5% sobre R$ 9.011,93 = R$ 2.478,28
    • Menos R$ 908,73 → IR final = R$ 1.569,55*

Perceba que, nesse caso, não existe etapa de redução. O valor encontrado após aplicar a alíquota e a dedução da tabela já é o imposto efetivamente devido.

* Os exemplos consideram apenas salário e a dedução simplificada mensal. O resultado pode variar conforme a composição dos rendimentos e demais deduções.

Conseguiu tirar suas dúvidas e agora já sabe como aplicar as alíquotas do IRPF? Aproveite para conferir, também, o nosso artigo sobre como pagar menos Imposto de Renda!

Summary

Roberta Firmino

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e com mais de 7 anos de experiência com conteúdo para web. Escrevo para ajudar brasileiros a saírem das dívidas e a tomarem decisões financeiras mais conscientes.

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