De um lado, comprar um carro significa ter um bem no seu nome, sem limite de quilometragem e sem contrato para devolver. Do outro, alugar ou assinar traz previsibilidade de custos, menos dor de cabeça com manutenção e mais flexibilidade para trocar de modelo.
Mas o que pesa mais no bolso?
Para responder de forma justa, é preciso colocar tudo na ponta do lápis: IPVA, seguro, manutenção, depreciação, juros e até o rendimento que você poderia ter se investisse o dinheiro da compra. Vamos analisar, acompanhe!
Você vai ver nesse conteúdo:
ToggleQuais são os custos reais de comprar um carro?
Muita gente olha apenas para o valor de compra. Mas o custo total de um carro vai muito além disso.
Ao comprar um veículo de R$ 120 mil, por exemplo, você pode ter:
- IPVA de 4% ao ano (cerca de R$ 4.800 no primeiro ano);
- seguro anual entre 4% e 6% do valor do carro;
- revisões periódicas;
- licenciamento e taxas obrigatórias;
- depreciação média de 10% a 25% ao ano, principalmente nos primeiros anos.
A depreciação costuma ser o maior custo invisível. Em muitos casos, o carro perde mais de R$ 20 mil no primeiro ano.
Além disso, existem gastos variáveis que dependem do uso, como combustível, estacionamento, pneus, lavagem e eventuais reparos.
Se a compra for financiada, ainda entram juros, que podem elevar significativamente o valor final pago.
E quanto custa alugar ou assinar um carro?
Na assinatura ou aluguel de carro, longo prazo, você paga uma mensalidade fixa que geralmente já inclui:
- IPVA;
- seguro auto;
- manutenção preventiva;
- licenciamento;
- assistência 24h.
Hoje, contratos de assinatura costumam custar algo entre 30% e 35% do valor do carro por ano, dependendo do modelo e prazo contratado.
Em um carro de R$ 120 mil, isso pode representar algo próximo de R$ 3 mil por mês em contratos de 36 meses.
A principal vantagem é a previsibilidade. Você sabe exatamente quanto vai pagar todo mês e evita surpresas com manutenção inesperada.
A principal desvantagem é que, ao final do contrato, você não fica com o veículo.
Simulação prática: comprar à vista ou assinar?
Imagine duas pessoas com R$ 120 mil disponíveis.
- Pessoa A compra o carro à vista.
- Pessoa B investe esse valor e opta pela assinatura.
Se a pessoa B aplicar os R$ 120 mil em um investimento que renda 12% ao ano, o rendimento pode ajudar a pagar parte da mensalidade da assinatura.
Ao mesmo tempo, a pessoa A terá um carro que sofrerá depreciação ao longo do tempo, mas poderá revendê-lo ao final do período.
Em algumas simulações de mercado, comprar à vista pode sair financeiramente melhor após três ou quatro anos. Em outros cenários, especialmente quando os juros estão altos, a assinatura pode se aproximar ou até empatar no custo total.
Tudo depende de:
- taxa de juros;
- rendimento dos investimentos;
- valor da assinatura;
- preço de revenda do carro;
- tempo que você pretende ficar com o veículo.
Comprar ou alugar carro: quando cada opção faz mais sentido?
Comprar tende a fazer mais sentido quando:
- você pretende ficar mais de 4 anos com o veículo;
- roda muitos quilômetros por mês;
- quer liberdade total para uso e personalização;
- valoriza ter um bem próprio.
Alugar ou assinar pode ser mais interessante quando:
- você prefere previsibilidade de gastos;
- quer trocar de carro com frequência;
- não quer lidar com manutenção e burocracia;
- prefere manter seu dinheiro investido.
Comparativo
| Critério | Comprar carro | Alugar / Assinar carro |
| Entrada inicial | Valor alto à vista ou entrada no financiamento | Geralmente não exige entrada alta |
| Mensalidade fixa | Não há, mas existem custos recorrentes | Há mensalidade fixa durante o contrato |
| IPVA | Pago pelo proprietário | Incluso na mensalidade |
| Seguro | Pago separadamente | Geralmente incluso |
| Manutenção | Responsabilidade do dono | Geralmente inclusa (preventiva) |
| Depreciação | Proprietário assume a perda de valor | Não há impacto direto para o cliente |
| Revenda | Possível recuperar parte do valor | Não há valor de revenda |
| Flexibilidade para trocar de carro | Menor | Maior, ao fim do contrato |
| Limite de quilometragem | Não há | Pode haver limite contratual |
| Personalização do veículo | Permitida | Geralmente não permitida |
| Previsibilidade de gastos | Menor, pode haver imprevistos | Maior, custos mais estáveis |
| Imobilização de capital | Sim, especialmente na compra à vista | Não há grande imobilização inicial |
O que quase ninguém considera: o custo de oportunidade
Ao comprar um carro à vista, você imobiliza capital.
Esse dinheiro poderia estar rendendo em um investimento. Esse é o chamado custo de oportunidade.
Em períodos de juros altos, investir o valor e optar pela assinatura pode parecer mais atraente. Em cenários de juros baixos, comprar pode voltar a ganhar vantagem.
Não existe uma resposta universal. A melhor escolha depende do seu perfil financeiro, do tempo que pretende usar o carro e da sua tolerância a imprevistos.
Então, comprar ou alugar carro?
Se você busca patrimônio e pretende ficar muitos anos com o mesmo veículo, comprar pode ser mais vantajoso no longo prazo.
Se prefere previsibilidade, menos preocupação e flexibilidade para trocar de modelo, alugar pode fazer mais sentido.
Antes de decidir, vale fazer três perguntas:
- quanto eu posso comprometer por mês sem afetar minha segurança financeira;
- eu pretendo ficar quanto tempo com esse carro;
- eu me sinto confortável em imobilizar uma grande quantia de dinheiro agora.
A decisão não é apenas matemática. Ela também envolve estilo de vida, planejamento e prioridades.
Comprar pode parecer mais vantajoso no longo prazo, especialmente se você pretende ficar muitos anos com o veículo. Mas, quando há financiamento envolvido, os juros podem aumentar bastante o valor final pago.
Alugar ou assinar traz previsibilidade e menos preocupação com manutenção, mas exige disciplina para avaliar se a mensalidade cabe no orçamento e se faz sentido abrir mão da propriedade.
Antes de decidir, vale analisar:
- se você precisará financiar o veículo;
- qual será o custo efetivo total do contrato;
- quanto da sua renda será comprometida com parcelas;
- e se há outras prioridades financeiras no momento.
Se o financiamento estiver na sua lista de opções, recomendamos que você leia também nosso guia completo sobre o tema, com explicações detalhadas sobre taxas, CET, financiamento de carro novo e usado, possibilidade de financiar 100% do valor e quais bancos costumam oferecer as menores taxas.
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