Guia completo do seguro-desemprego

Perder o emprego pode trazer incertezas, especialmente no aspecto financeiro. É nesse momento que o seguro-desemprego se torna um apoio importante para garantir a subsistência de trabalhadores até a recolocação no mercado. Mas, para ter acesso ao benefício, é fundamental conhecer as regras, prazos e critérios de solicitação.

Neste guia, você encontra tudo o que precisa saber sobre o seguro-desemprego: quem tem direito, como funciona o cálculo, por quanto tempo é pago, como solicitar, renovar e sacar o benefício, além de informações atualizadas sobre o calendário de pagamentos.

O que é o seguro-desemprego?

O seguro-desemprego é um benefício temporário garantido pela Constituição Federal (art. 7º, II) e regulamentado pela Lei nº 7.998/1990. Ele é pago pelo Governo Federal a trabalhadores formais que foram dispensados sem justa causa, como forma de garantir uma renda mínima por um período determinado.

Além de amparar o trabalhador desempregado, o seguro-desemprego também busca garantir que a recolocação ocorra com dignidade, sem que a pessoa precise aceitar condições precárias de trabalho por necessidade imediata.

Quem tem direito ao seguro-desemprego?

Têm direito ao seguro-desemprego os trabalhadores que se enquadram nos seguintes critérios:

  • Foram dispensados sem justa causa (incluindo dispensa indireta e rescisão por acordo, com restrições);
  • Estiveram empregados por tempo mínimo exigido (ver abaixo);
  • Não possuem renda própria suficiente para seu sustento e de sua família;
  • Não estão recebendo outro benefício previdenciário, exceto pensão por morte ou auxílio-acidente.

Além disso, é preciso cumprir os requisitos de tempo de trabalho:

  • Primeira solicitação: pelo menos 12 meses de trabalho com carteira assinada nos últimos 18 meses;
  • Segunda solicitação: pelo menos 9 meses de trabalho nos últimos 12 meses;
  • Terceira solicitação em diante: pelo menos 6 meses de trabalho contínuo imediatamente anteriores à demissão.

Trabalhadores domésticos, pescadores artesanais e pessoas resgatadas de trabalho análogo ao escravo também têm direito ao benefício, com regras específicas.

Quem tem dívida ativa pode receber seguro-desemprego?

Sim. Ter dívida ativa com a União, estados ou municípios — como impostos atrasados ou débitos com a Receita Federal — não impede o pagamento do seguro-desemprego. O benefício não pode ser usado para compensar esse tipo de dívida, e os valores são liberados normalmente, desde que os demais requisitos estejam sendo cumpridos.

Como é feito o cálculo do seguro-desemprego?

O valor do seguro-desemprego varia conforme a faixa salarial do trabalhador e a quantidade de meses trabalhados, sendo calculado com base na média dos últimos três salários anteriores à dispensa. A tabela com os valores e faixas é atualizada anualmente pelo Ministério do Trabalho.

Em 2025, os valores seguem uma lógica progressiva:

  • Quem recebia até determinada faixa de salário bruto mensal (definida anualmente) recebe uma proporção desse valor;
  • Quem recebia acima do teto da tabela recebe o valor fixo máximo do benefício;
  • O valor nunca pode ser inferior ao salário mínimo vigente.

Assim, a tabela do seguro-desemprego é a seguinte:

Faixa salarial
(salário médio)
Valor da parcela
Até R$2.138,76Multiplica-se o salário médio por 0,8 (80%)
De R$2.138,77 até R$3.564,96O valor que exceder R$2.138,76 é multiplicado por 0,5 e somado a R$1.711,01
Acima de R$3.564,96O valor da parcela será fixo em R$2.424,11

O trabalhador pode receber de 3 a 5 parcelas, de acordo com o tempo de trabalho. 

Por quanto tempo o seguro-desemprego é pago?

O número de parcelas depende da quantidade de meses trabalhados e da quantidade de vezes que o benefício já foi solicitado. Assim:

Nº de SolicitaçãoTempo de trabalhoNº de parcelas
1ª vez12 a 23 meses4 parcelas
24 meses ou mais5 parcelas
2ª vez9 a 11 meses3 parcelas
12 a 23 meses4 parcelas
24 meses ou mais5 parcelas
3ª vez em diante6 a 11 meses3 parcelas
12 a 23 meses4 parcelas
24 meses ou mais5 parcelas

Após a solicitação ser aprovada, o pagamento da primeira parcela ocorre 30 dias após a data do requerimento. As demais parcelas são liberadas a cada 30 dias subsequentes.

As datas de pagamento seguem um calendário mensal da Caixa Econômica Federal, e podem ser consultadas no site do banco, no aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou no portal gov.br.

Como solicitar o seguro-desemprego?

O pedido pode ser feito a partir do 7º dia após a demissão e até 120 dias corridos depois da data de desligamento. Além disso, o processo pode ser feito de forma digital, sem necessidade de ir até uma unidade do SINE.

Para isso:

  1. Acesse o site gov.br;
  2. Faça login com CPF e senha;
  3. Acesse a aba Carteira de Trabalho Digital;
  4. Selecione Benefícios > Seguro-Desemprego;
  5. Informe o número do requerimento fornecido pela empresa;
  6. Confirme os dados e envie.

O pedido também pode ser feito pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou presencialmente, em unidades do SINE, mediante agendamento. 

Para o caso de processos presenciais, você deve:

  1. Fazer o agendamento, por meio do Portal de Serviços do Governo Federal, do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, por e-mail junto às Superintendências Regionais do Trabalho ou nas unidades das Superintendências Regionais do Trabalho.
  2. Separar os documentos corretos, que incluem: documento de identificação que possua foto como RG ou CNH, CPF, carteira de trabalho, número do PIS/Pasep, comunicação de dispensa ou requerimento de seguro-desemprego, extratos de depósitos, rescisão do seu contrato de trabalho.
  3. Comparecer ao local na data agendada. 

Como renovar o seguro-desemprego?

O seguro-desemprego não exige renovação manual entre uma parcela e outra. O sistema libera as parcelas automaticamente, a cada 30 dias, desde que o beneficiário não tenha conseguido novo emprego ou se inscrito em algum programa de qualificação com renda.

Se houver mudança na situação cadastral — como novo vínculo formal de trabalho ou falecimento do beneficiário — o pagamento é suspenso automaticamente.

Como sacar o seguro-desemprego?

O saque pode ser feito de diferentes formas:

  • Crédito direto em conta da Caixa (poupança ou conta-corrente);
  • Saque com o Cartão Cidadão em caixas eletrônicos da Caixa, lotéricas ou correspondentes Caixa Aqui;
  • Atendimento direto em agências da Caixa, mediante apresentação de documento com foto.

É importante acompanhar as datas de liberação e manter os dados bancários atualizados na plataforma do gov.br ou no app da Carteira de Trabalho Digital.

O seguro-desemprego pode ser bloqueado por dívida?

Não. Dívidas pessoais não impedem o recebimento do seguro-desemprego. Ou seja: mesmo quem está inadimplente ou com pendências financeiras pode receber o benefício normalmente. 

O seguro é um direito trabalhista e não pode ser retido por cobranças de crédito, empréstimos ou financiamentos em atraso.

Como não me endividar usando o seguro-desemprego? Veja 3 dicas práticas

Receber o seguro-desemprego é importante, mas, como o valor tem prazo para acabar, é essencial se planejar para não cair em novas dívidas durante esse período. Para te ajudar, separamos 3 dicas. Confira:

1. Monte um orçamento realista

Some todas as suas despesas essenciais (moradia, alimentação, transporte) e compare com o valor das parcelas que você receberá de seguro-desemprego. Corte gastos não prioritários e mantenha o foco no básico.

2. Evite parcelar compras ou usar o cartão de crédito

O cartão de crédito e o cheque especial podem parecer soluções rápidas, mas os juros são altos. Prefira pagar tudo à vista e fuja de novas dívidas enquanto estiver sem renda fixa.

3. Use o tempo para reorganizar sua vida financeira

Faça uma análise dos seus gastos, renegocie dívidas antigas se possível, e pense em formas de gerar renda enquanto busca nova colocação. Use o período para planejar o próximo passo com consciência.

Agora que você já sabe tudo o que precisa sobre seguro-desemprego, aproveite para conferir como calcular a sua rescisão!

Summary

Roberta Firmino

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e com mais de 7 anos de experiência com conteúdo para web. Escrevo para ajudar brasileiros a saírem das dívidas e a tomarem decisões financeiras mais conscientes.

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