O Custo Efetivo Total, ou CET, é o número que reúne tudo o que uma operação de crédito vai custar de fato — não só os juros, mas também tarifas, seguros e outros encargos embutidos no contrato. É o dado que toda instituição financeira é obrigada a te mostrar antes de você assinar qualquer financiamento ou empréstimo.
Neste guia, você entende o que compõe essa conta, como ela aparece em diferentes tipos de crédito (do financiamento de carro ao empréstimo consignado) e o que fazer quando o CET de uma proposta parece alto demais.
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ToggleO que é Custo Efetivo Total (CET)
O CET é o indicador que representa o custo total de uma operação de crédito ou de arrendamento mercantil (o famoso leasing), expresso em porcentagem ao ano. Segundo o Banco Central, ele “corresponde a todos os encargos e despesas incidentes nas operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro, contratadas ou ofertadas”.
Na prática, é a diferença entre “quanto custa o dinheiro” e “quanto essa dívida vai custar de verdade”. Uma taxa de juros de 2% ao mês pode parecer baixa isoladamente, mas se a operação também cobra tarifa de cadastro, seguro prestamista e IOF, o CET final pode ser bem maior do que essa taxa nominal sugere.
A obrigatoriedade de informar o CET vem da Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020, que dispõe especificamente sobre o cálculo e a divulgação desse indicador nas operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro no Brasil.
O que entra na conta do CET
O CET não é só a taxa de juros. Ele soma todos os custos que você paga para ter acesso àquele crédito, entre eles:
- Juros remuneratórios — o custo do dinheiro emprestado em si;
- Tarifas administrativas — cadastro, avaliação de bem (em financiamentos), TAC quando cobrada;
- Seguros vinculados — como o seguro prestamista, quando obrigatório para fechar o contrato;
- Tributos — como o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que incide sobre praticamente todo crédito para pessoa física.
Por que a taxa de juros sozinha não conta a história toda
Duas propostas de empréstimo com a mesma taxa de juros nominal podem ter CETs bem diferentes, dependendo de quantas tarifas e seguros cada instituição embute no contrato. É por isso que comparar só “a taxa” entre bancos pode te fazer escolher a opção errada: o CET é o número desenhado justamente para evitar essa armadilha, porque ele já converte tudo para uma única porcentagem anual comparável.
Como usar o CET para comparar propostas
Como o cálculo do CET já é feito e informado pela própria instituição financeira antes da contratação, você não precisa calcular nada manualmente — o trabalho é saber onde olhar e o que comparar.
Ao receber uma proposta de crédito, confira:
- Se o CET está anual (% a.a.) — é o formato padrão de divulgação, o que te permite comparar propostas de prazos diferentes lado a lado.
- Se ele foi informado antes da assinatura — a instituição é obrigada a te apresentar esse número previamente, não só depois que o contrato já foi fechado.
- Se o CET bate com a taxa de juros anunciada na publicidade — quando a diferença entre os dois é grande, é sinal de que há bastante tarifa ou seguro embutido, e vale perguntar exatamente o que está sendo cobrado.
Se você quiser conferir a metodologia oficial de cálculo ou tirar dúvidas sobre um contrato específico, o canal correto é o Banco Central, pelo telefone 145 ou pelo site do próprio regulador. Evite se basear só em simuladores de terceiros para decisões importantes.
CET em diferentes tipos de crédito
O CET aparece de forma um pouco diferente dependendo do produto contratado.
CET no financiamento de veículo
No financiamento de carro ou moto, o CET costuma ser mais alto que a taxa de juros anunciada, porque geralmente inclui a tarifa de avaliação do bem e, em muitos casos, um seguro do próprio veículo financiado como exigência do contrato. Vale sempre pedir a simulação completa, com o CET discriminado, antes de fechar negócio, inclusive para comparar com outras opções, como o refinanciamento de um bem que você já possui.
CET no empréstimo consignado
No consignado, a taxa de juros costuma ser menor do que a de outras modalidades, mas isso não significa que o CET seja sempre baixo: seguros vinculados ao contrato ainda entram na conta. Mesmo com desconto direto na folha ou no benefício, vale confirmar o CET completo antes de assinar, o mesmo cuidado vale para quem já está pensando nas atualizações do empréstimo consignado e nas regras que mudam de tempos em tempos.
CET no cartão de crédito e no rotativo
Cartão de crédito não costuma divulgar um “CET fixo” da mesma forma que um empréstimo com parcelas definidas, mas o princípio é o mesmo: quando você entra no rotativo ou parcela a fatura, os juros e encargos aplicados formam um custo efetivo que pode ficar bem acima da taxa de juros isolada. Entender como os juros se acumulam mês a mês ajuda a enxergar esse efeito. O artigo sobre juros compostos explica exatamente por que uma dívida de cartão cresce tão rápido quando não é paga.
O que significa um CET abusivo
Não existe um percentual fixo definido em lei a partir do qual um CET vira “abusivo”: o que existe é o direito do consumidor de contestar encargos desproporcionais, com base no Código de Defesa do Consumidor, quando o custo total da operação foge muito do praticado no mercado para produtos semelhantes.
Na prática, os sinais mais comuns de que vale questionar um contrato são:
- o CET informado não bate com o que foi anunciado na publicidade ou combinado verbalmente;
- há seguros ou tarifas que você não lembra de ter autorizado;
- o CET está muito acima da média de mercado para aquele mesmo tipo de operação, sem justificativa clara.
Nesses casos, o caminho é formalizar a reclamação diretamente com a instituição, registrar no Banco Central pelo canal de reclamações, ou procurar o Procon. Nunca aceite o valor calado, mesmo que o contrato já esteja assinado.
Por que conferir o CET antes de renegociar ou contrair uma nova dívida
Se você já está lidando com o nome negativado ou tentando sair de uma dívida, o CET se torna ainda mais importante do que para quem está numa situação financeira estável. É comum, nessa fase, aceitar a primeira proposta de crédito ou refinanciamento disponível só para “resolver logo”, e é exatamente aí que um CET alto passa despercebido e cria uma dívida nova em cima da antiga.
Antes de aceitar qualquer proposta de crédito para quitar outra dívida, compare o CET da nova operação com o custo real do que você já deve. Às vezes, negociar diretamente com quem você já deve, com desconto à vista ou parcelamento sem novos encargos, sai mais barato do que contratar um crédito novo só para “trocar de dívida”. Vale conhecer as opções de como negociar dívidas com desconto antes de recorrer a um empréstimo novo.