11 principais contas de início de ano

Virada de ano costuma vir acompanhada de uma sensação dupla: vontade de organizar a vida financeira e, ao mesmo tempo, aquele frio na barriga ao lembrar dos boletos que estão por chegar. Para muita gente, esse período marca o início de decisões importantes sobre dinheiro — pagar, parcelar, negociar ou até rever hábitos para conseguir dar conta de tudo sem começar o ano no vermelho.

Neste conteúdo, a ideia é te ajudar a enxergar o cenário completo sobre as contas de início de ano, entender quais despesas realmente merecem atenção e como se preparar para elas de forma mais consciente. Vamos lá?

Quais são as contas de início de ano?

As contas de início de ano são aquelas despesas que se concentram, principalmente, entre janeiro e março e que costumam pressionar o orçamento justamente depois de um período em que muita gente já gastou mais, como festas de fim de ano e férias. Diferente das contas mensais, essas despesas são anuais, obrigatórias em muitos casos e, quase sempre, chegam todas juntas.

O grande desafio é que boa parte dessas contas tem valores mais altos ou sofre reajustes no começo do ano. Por isso, entender quanto custam, como são calculadas e quando vencem faz toda a diferença para evitar atrasos, parcelamentos ruins ou até o início do ano já com dívidas acumuladas.

1. IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)

O IPTU é um imposto municipal cobrado anualmente de quem possui imóvel urbano. O valor não é fixo: ele é calculado com base no valor venal do imóvel, que é uma estimativa feita pela prefeitura considerando localização, tamanho, tipo do imóvel e padrão da construção. A alíquota varia de cidade para cidade, mas geralmente fica entre 0,3% e 1,5% desse valor.

Na prática, isso significa que o IPTU pode variar bastante: imóveis menores podem pagar algumas centenas de reais por ano, enquanto imóveis maiores ou em regiões valorizadas facilmente ultrapassam alguns milhares. O vencimento costuma acontecer entre janeiro e fevereiro, com opção de pagamento à vista (normalmente com desconto de 5% a 10%) ou parcelado em até 10 ou 12 vezes, dependendo do município.

2. IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores)

O IPVA é um imposto estadual cobrado de quem possui carro, moto ou outro veículo automotor. O cálculo é feito aplicando uma alíquota definida pelo estado sobre o valor venal do veículo (tabela Fipe). Em geral, a alíquota fica entre 1% e 4%, dependendo do tipo do veículo e do estado.

Por exemplo: um carro avaliado em R$ 50 mil pode gerar um IPVA entre R$ 500 e R$ 2.000. O vencimento geralmente acontece entre janeiro e março, conforme o final da placa, e quase sempre há desconto para pagamento à vista. Como o valor costuma ser alto, o IPVA é uma das contas que mais pesam no orçamento no começo do ano.

O que tenho que pagar primeiro: IPVA ou licenciamento?

Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta depende da regra do estado onde o veículo está registrado. Em muitos estados, o licenciamento não vence no início do ano, mas sim no segundo semestre, seguindo o final da placa. Ou seja: nem sempre é preciso pagar tudo de uma vez logo em janeiro.

O que acontece, na prática, é que para licenciar o veículo, o IPVA precisa estar quitado (totalmente pago ou com parcelas em dia). Por isso, mesmo que o licenciamento fique para depois, o IPVA acaba sendo a prioridade no começo do ano. Ignorar esse imposto pode impedir o licenciamento mais à frente e gerar multas e problemas para circular com o veículo.

3. Seguro obrigatório (DPVAT, quando aplicável)

O seguro obrigatório, quando existe cobrança, costuma ter valor relativamente baixo se comparado a outras despesas do veículo, geralmente variando entre R$ 5 e R$ 20, dependendo do tipo de veículo. Mesmo assim, ele entra no pacote de custos obrigatórios relacionados ao carro no início do ano.

Como as regras do DPVAT já mudaram algumas vezes, muita gente acaba ficando confusa sobre quando e se deve pagar. Por isso, ele merece atenção no planejamento financeiro, mesmo quando o impacto no orçamento parece pequeno.

4. Matrícula escolar

A matrícula escolar é uma das despesas mais pesadas do início do ano para quem tem filhos em escola particular. Na maioria das instituições, o valor da matrícula corresponde a uma mensalidade inteira ou a um percentual dela. Dependendo da escola, esse custo pode variar de R$ 800 a mais de R$ 3.000.

Como a cobrança costuma acontecer entre novembro e janeiro, ela acaba coincidindo com outras contas importantes. Quando não há planejamento, muitas famílias recorrem ao parcelamento ou ao cartão de crédito, o que aumenta o comprometimento da renda logo nos primeiros meses do ano.

5. Mensalidade escolar reajustada

Além da matrícula, o início do ano traz o reajuste da mensalidade escolar. Esse aumento geralmente acompanha inflação, custos operacionais da escola e investimentos pedagógicos. Na prática, os reajustes costumam variar entre 5% e 15%, dependendo da instituição.

Mesmo um reajuste aparentemente pequeno pode gerar impacto ao longo do ano inteiro, especialmente quando somado a outras despesas fixas que também sofrem aumento nesse período.

6. Material escolar

O material escolar é uma despesa clássica do início do ano e costuma variar bastante conforme a série do aluno. Para crianças menores, o valor pode ficar entre R$ 300 e R$ 800. Já para alunos mais velhos, especialmente no ensino médio, esse custo pode ultrapassar R$ 1.500.

Como a compra acontece quase sempre em janeiro, quando os preços estão mais altos, essa conta pesa ainda mais no orçamento de quem não conseguiu se antecipar.

7. Uniforme escolar

O uniforme escolar também entra no pacote de gastos do início do ano. Dependendo da quantidade de peças exigidas e da escola, o valor pode variar de R$ 200 a mais de R$ 700. Quando a criança cresce ou muda de escola, esse gasto é praticamente inevitável.

Por não ser uma despesa mensal, o uniforme costuma ser esquecido no planejamento, mas aparece de uma vez só, junto com matrícula e material.

8. Cursos extracurriculares

Cursos de idiomas, esportes, reforço escolar ou atividades artísticas geralmente cobram uma taxa de matrícula anual, que pode variar entre R$ 100 e R$ 500, além da mensalidade. Muitas vezes, essa taxa vence justamente no começo do ano.

Quando somados, esses valores podem comprometer o orçamento, especialmente se a família mantém mais de uma atividade extracurricular.

9. Plano de saúde (reajuste anual)

Os planos de saúde costumam aplicar reajustes anuais que variam, em média, entre 8% e 20%, dependendo do tipo de plano e da faixa etária. Em muitos contratos, esse reajuste acontece no início do ano ou nos primeiros meses.

10. Condomínio com reajuste

Muitos condomínios aplicam reajustes anuais no começo do ano, geralmente seguindo a inflação ou aumento dos custos do prédio. O reajuste costuma variar entre 5% e 15%, impactando diretamente uma despesa fixa mensal.

11. Imposto de Renda (planejamento)

Embora o pagamento do Imposto de Renda aconteça mais à frente, o início do ano é quando vale começar a se organizar. Para quem sabe que terá imposto a pagar, o valor pode variar bastante, dependendo da renda, deduções e impostos já recolhidos.

Antecipar esse planejamento evita parcelamentos desnecessários e ajuda a manter o controle financeiro ao longo do ano.

Quais são as outras contas e quando devo pagá-las?

Além das contas concentradas no início do ano, existem despesas pontuais, que não aparecem todo mês, mas que surgem em momentos específicos e exigem atenção. Justamente por não serem recorrentes, essas contas podem acabar ficando fora do planejamento.

Veja quais são as principais:

ContaO que éQuando costuma vencerComo funciona / valor aproximado
Imposto de Renda (pagamento)Valor devido à Receita Federal após a declaraçãoEntre maio e setembroPode ser pago à vista ou parcelado em até 8 vezes
Licenciamento do veículoTaxa anual para o carro circular legalmenteGeralmente no segundo semestre, conforme a placaValor varia por estado, em média entre R$ 100 e R$ 300
Renovação de CNHRenovação da carteira de motoristaA cada 5 ou 10 anosTaxas + exames, normalmente entre R$ 200 e R$ 400
Renovação de assinaturas anuaisStreaming, apps, softwares, antivírusData varia conforme contrataçãoCobrança automática, geralmente entre R$ 100 e R$ 500 por ano
Seguro do carro (renovação)Renovação anual da apóliceData do contratoPode variar de R$ 1.200 a mais de R$ 4.000
Seguro residencial ou de vidaRenovação da cobertura contratadaData do contratoValor depende da cobertura, geralmente anual
Anuidade de cartão de créditoCobrança pelo uso do cartãoInício do ano ou data do contratoDe R$ 200 a mais de R$ 1.000, parcelado
Taxas de documentosSegunda via de RG, CPF, certidõesEventualValores menores, mas pontuais

O grande ponto aqui é lembrar que essas contas não são mensais, mas nem por isso deixam de ser previsíveis. Muitas delas têm data fixa ou repetem o mesmo período todos os anos, o que permite se organizar com antecedência e evitar parcelamentos que comprometem o orçamento.

Como me organizar para pagar todas as contas de início de ano?

Organizar o pagamento das contas de início de ano exige, antes de tudo, clareza. Como essas despesas chegam quase todas juntas, tentar resolver tudo “no improviso” costuma levar a decisões ruins, como parcelar no cartão sem planejamento ou atrasar contas importantes. O caminho mais eficiente é olhar para o todo, entender o impacto real dessas despesas no orçamento e definir prioridades.

O primeiro passo é listar todas as contas de início de ano, com valores, datas de vencimento e possibilidade de parcelamento. Em seguida, vale comparar esse total com a sua renda disponível nos primeiros meses do ano. Essa comparação mostra rapidamente se o orçamento comporta essas despesas ou se será preciso fazer ajustes, como negociar prazos, parcelar estrategicamente ou cortar gastos temporários.

Outro ponto importante é definir o que é obrigatório e inadiável (como impostos e contas que geram multa ou bloqueio de serviços) e o que pode ser reorganizado. Essa priorização evita atrasos desnecessários e ajuda a distribuir melhor o dinheiro ao longo dos meses.

Estou endividado, e agora?

Se você já começa o ano endividado, o sentimento de sobrecarga é comum — ainda mais quando as contas de início de ano chegam todas de uma vez. Porém, dá, sim, para se organizar, mesmo nessa situação, desde que o foco seja agir com estratégia e não com culpa.

O primeiro passo é entender exatamente quais dívidas você já tem, quanto elas consomem da sua renda mensal e quais estão atrasadas. Com isso em mãos, fica mais fácil avaliar se é possível pagar as contas de início de ano sem gerar novos atrasos ou se será necessário negociar.

Em muitos casos, tentar pagar tudo ao mesmo tempo só piora o cenário. Negociar dívidas antigas pode liberar parte do orçamento, reduzir juros e facilitar o pagamento das despesas atuais. Às vezes, um acordo bem feito custa menos do que continuar empurrando dívidas com o cartão ou cheque especial.

Também vale lembrar que nem todas as contas precisam ser pagas à vista. Avaliar parcelamentos com juros menores, usar descontos de forma estratégica e reorganizar prazos pode ajudar a atravessar esse período com menos pressão financeira.

Quando a dívida já compromete boa parte da renda, buscar sites de negociação confiáveis, como a Acerto, pode ser um passo importante para retomar o controle. O mais importante é entender que organização financeira não começa quando tudo está sob controle — ela começa justamente quando você decide encarar a situação e buscar soluções possíveis para a sua realidade.

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Summary

Roberta Firmino

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e com mais de 7 anos de experiência com conteúdo para web. Escrevo para ajudar brasileiros a saírem das dívidas e a tomarem decisões financeiras mais conscientes.

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